A parábola do Rodolfinho

Oi, meu nome é Rodolfinho e eu odeio meu dono. Eu odeio, odeio meu dono. Como pode, colocar-me neste mundo e esquecer-me amarrado a este poste, justo agora? Sim, o ‘justo agora’ foi só para que você se sentisse impelido a me perguntar: Por que justo agora Rodolfinho? Anda, pergunta…

Bem, justo agora porque… porque… ah, porque eu não tive uma infância muito fácil . Minha mãe tentou me devorar um dia após nascido. Ela pensou que eu estava morto, não fosse o muleque sardento que morava lá perto do terreno baldio onde eu nasci, hoje eu não estaria nem aqui amarrado a este post, digo, poste. Meu dono é um cara meio distante sabe, parece não ligar muito pra mim. Olha, em toda essa minha vida, ele já permitiu com que eu fosse botado pra correr, açoitado, mordido, já permitiu com que eu passasse fome, tivesse o rabo cortado e o corpo infestado de carrapatos. Uma vez eu ganhei uma almofada. Deus, como fiquei feliz, mas no primeiro minuto eu já SABIA que aquilo não iria durar, trataram logo de sumir com a minha aconchegante cama. E agora, pasmem, meu dono NÃO me deu outra, acreditam? Incrível, aquilo pra mim foi o fim, o fim de um relacionamento que nunca existiu, uma verdadeira decepção. Eu odeio meu dono.

***

Se eu acreditasse que nós, seres humanos evoluímos de alguma espécie primitiva, diria que evoluímos do cachorro e não do macaco. Cachorros tem sentimentos, tem expressões, sentem saudade, se apaixonam, ficam depressivos – assim como eu e você.

Agora, imaginem, se todos nós fossemos cachorros, e vamos abrir um parenteses aqui, eu seria um vira-lata – com esse cabelo ruim e orelhas de abano, estou longe de ser um chow-chow. Então, somos cachorros… ah vamos abrir outro parenteses vai, até agora só foram 366 palavras mesmo, alguns cachorros por aí são muito mais confiáveis do que pessoas – que diga-se de passagem! Enfim, você é um cachorro, e é um cachorro frustrado com a vida. Reclama, reclama e reclama, você é o Rodolfinho. Você ODEIA seu dono. Para você, seu dono não te dá atenção, não te ouve quando você late, não gosta de você, não te dá presentes, não faz nada por você.

Ô Rodolfinho, já te passou pela cabeça que seu DONO não tem obrigação nenhuma em te dar uma almofada nova? Não, não tem! Tudo o que você faz é cobrar, cobrar e cobrar, como se fosse OBRIGAÇÃO dele prover tudo o que você precisa – inclusive felicidade. Ele não tem obrigação de te dar um osso suculento para roer todos os dias, não tem obrigação lhe comprar a melhor ração. Não tem obrigação de lhe dar uma casinha nova e enorme. Isso sem falar no fato de que se ele te der uma casa nova você já vai logo desconfiando: “humm, isso não está certo, tem algo de errado aqui!” – se ele NÃO te dá o que você quer, você reclama, se ele te dá, bem, você acha que nem foi ele que te deu. Talvez, se você tirasse essa frustração do focinho e quebrasse o muro de lamentações que está te cegando, veria que seu Dono sempre esteve com você.

Você quer liberdade, você não quer estar preso a um poste, mas já te passou pela cabeça, Rodolfinho, que aqueles cachorros que estiverem seguros a um poste firme na verdade estarão livres, porém aqueles que estiverem livres de um poste firme, na verdade estarão presos?

Tire dois minutos do dia de hoje para pensar sobre isso, e logo que terminar, corre e vai dar uma lambida no seu dono que está morrendo de saudades de você!

E quanto a mim, bem, peço desculpas pela demora em escrever um novo texto. Meu Dono estava me ajudando a resolver alguns probleminhas.

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13 Respostas para “A parábola do Rodolfinho

  1. Ok, tá perdoado. Valeu a espera, e como sempre, um ótimo post. Para pensar, cheio de mensagens subliminares…hummm… não, não… pra mim tá bem claro.
    Tenha uma boa semana!!!

    P.S. Fui o primeiro????uhuhuhuhuhuhhu

  2. Nunca consigo ser a primeira, mesmo sendo a primeira dama da casa..rs. Ótimo post amore, lembrei-me é claro da nossa super Tulinha…rs, mas ainda bem que não foi a foto dela postada e sim a do vizinho Tobias…hahah!!!
    Congrats !
    Super bjs!

  3. Belo texto amigo!!! E essa foto, que cara de coitado esse cachorro!.rsrsrsrs….

  4. Então, Rodolfinho. No fundo, amamos nosso Dono, sabemos que Ele também nos ama, mas sabe, nós confiamos, mas erramos muito por deixarmos nossa natureza humana falar mais alto. Ansiedade, excesso de carência, egoísmo, insegurança é da nossa natureza e quando a nossa confiança no nosso Dono fica aquém, aí estraga tudo (até insconscientemente não confiamos).
    Aí, quando seu Dono, Rodolfinho, deixa-te sozinho para ir comprar seu alimento, você se sente abandonado; quando Ele precisa te dar a vacina da raiva (e outras), importantes para sua saúde, você sente a dor que elas causam, mas não sabe que seu Dono está fazendo isso porque quer te ver bem. A dor é necessária. Quando seu Dono permite que um cachorrinho que você te dê um belo susto, é porque Ele quer que você pense duas vezes quando pensar em ser “atrevido” novamente com outro cachorro, a fim de evitar que você se prejudique de vez encarando um maior. Sem contar que isso te ensinará a ser mais equilibrado.
    E, no final, Rodolfinho, a gente não entende o que o nosso Dono faz com a gente, pois muitas vezes parece ser tão injusto, choramos, reclamamos, dizemos que Ele não nos ouve, que nos abandonou. E Ele está o tempo junto. O silêncio dEle muitas vezes é importante, mas Ele não deixa de nos olhar, porque nosso Dono sempre nos prometeu que não daria nada que não pudéssemos suportar. Ele faz o que é melhor para a gente, mas o agir e o tempo dele são diferentes do nosso tempo e aí a gente reclama. Não é fácil confiar plenamente, confesso que eu vacilo muito, mesmo crendo que meu Dono sabe o que faz.
    E sabe, somos vasos na mão do oleiro e dói para fazer algumas moldagens, mas aprendemos tanto, tanto. Rodolfinho, sou muito mais humana hoje e ainda sei que tenho muito o que ser moldada, ainda vou sentir muita dor (sinto ainda). Nosso dono sabe de tudo. Ele vê o que não entendemos, por isso precisamos acreditar nEle. Difícil é sim. Nosso Dono não nos prometeu somente alegrias, até porque a liberdade total nos aprisionaria. Existem limites que são necessários para nosso bom viver.

    Aubraço.

    • Patricia,

      Você colocou suas palavras de maneira brilhante! – não sei se é um complemento para o texto, ou se de tão bom, é outro texto…rs.

      De qualquer maneira, gostaria também de publicamente agradecer a sugestão enviada por você.

      Muito Obrigado mesmo!

  5. to aqui de novo cara, esse rodolfinho hein, que cachorro mal agradecido, so ve o lado ruim das coisas, nem liga se ele tem um sobrinho lindo uma familia q apoia ele, um lar, nao tem mt que reclamar, parabens

  6. Perfeito!!!!!
    Ótima Parábola….

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