O pior dia da minha vida

Talvez tenha chegado o momento de rir dele.

Nos meses em que morei nos States, tive momentos bons, maravilhosos e terríveis. Conheci neve e a Casa Branca, passei um Reveillon na Times Square em New York, vivi o dia-a-dia de uma família americana, etc. No entanto, eu também quase passei fome – obrigado SOPA ENLATADA, te devo minha vida! – quase não tive lugar pra dormir durante uma noite ou outra, fui discriminado e taxado como uma pessoa que eu não era. Mas acredito que o pior dia tenha sido este…

Eu trabalhava em uma loja de veículos usados, numa cidade cuja economia baseia-se em venda de veículos – Laurel/Maryland. Como lá, praticamente não existem aquelas invenções desingonçadas que chamamos de ônibus, o dono desta loja gentilmente cedeu-me o veículo mais velho à venda para que eu me locomovesse. Então, o Jeepinho Cherokee 1989 ali de cima era meu – se eu quisesse efetivamente comprá-lo, o preço seria Mil dólares, mas esta é história para outro post.

Uma congelante sexta-feira, estava voltando…

Rápida aula sobre visto americano primeiro: Meu visto era de Estudante, então o que eu poderia fazer lá era estudar, talvez respirar também. Fato: eu estava trabalhando na loja de veículos. Tendo dito isso, podemos prosseguir…

Uma congelante sexta-feira, estava voltando do trabalho embaixo de neve – se você achar que está dirigindo muito devagar, é porque ainda precisa diminuir mais – e o gênio aqui não se lembrou de acionar o botão 4×4 do Jeepinho. Estrada de mão dupla, eu devagar quase parando, de repente me descuido e encosto o pé no acelerador – encosto o pé! – foi o suficiente para que eu perdesse a traseira, girarasse 360º duas vezes e caísse numa valeta. Parei, primeiro pensamento: nenhum carro estava vindo em sentido contrário, ufa! segundo pensamento: preciso sair daqui, agora!

Neste dia, neste único e exclusivo dia, eu fui trabalhar sem minha habilitação de motorista internacional e passaporte. Eu no mínimo iria pra cadeia no minuto seguinte que uma viatura encostasse.

Liguei o carro, tentei sair, nada, estava preso na valeta. Estava há uns 4 Km de casa então tomei a decisão de correr até lá para buscar meus documentos. Se chegasse uma viatura e guinchasse o veículo como eu explicaria para meu patrão o motivo do abandono do veículo? Pra melhorar: neste dia, neste único e exclusivo dia eu não fui de bota, mas de tênis. Correr na neve com aquele tênis foi algo que jamais esqueço. Naquele momento eu não sabia se corria ou se chorava!

Se ao retornar ao local do acidente existisse uma viatura lá, como iria explicar o uso do veículo de uma loja de venda de carros sem dizer que eu trabalhava lá? Eram 20h, eu não poderia dizer que estava fazendo um test drive. OK, preso ou deportado eu poderia escolher!

Cheguei em casa, peguei os documentos, voltei para o estrada e não havia nenhuma viatura lá – até hoje não sei como, pois aquela estrada era extremamente policiada. Enfim, um amigo de um amigo chamou um guincho, tiramos o carro da vala e fui pra casa.

Aquele foi um dos PIORES dias da minha vida, especialmente pelas circunstâncias, local em que eu estava e pelas pessoas que poderiam me ajudar. HOJE, 4 anos depois, chegou o tão sonhado momento. Aquele em que eu olho pra trás, e rio. Simplesmente rio. Ter quase capotado um carro emprestado numa estrada americana sem passaporte ou carteira de motorista não é pra qualquer um! A história fica ainda melhor se eu disser que até hoje não paguei os U$100 do guincho – se tivesse pago, teria sido uma semana sem sopa enlatada.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA, BOB ESPONJA?

Olá amiguinho! Se hoje está sendo o pior dia da sua vida, você não tem mais dinheiro pra comprar hamburguer de siri, o Lula Molusco te demitiu ou o Patrick te abandonou, isso pode dizer duas coisas: ou o dia em que você irá rir disso tudo está cada vez mais perto ou você será provavelmente preso e deportado.

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16 Respostas para “O pior dia da minha vida

  1. Boa história, mas depois você obteve os louros da vitória cara amigo, afinal esses dias são para isso rs…

  2. Meu Deus, e depois eu que acho que tenho problemas de mais na minha vida, comigo eu passei os melhores e piores dias da minha vida em Recife, morei 3 anos e meio la com minha familia – todos sabemos que morar e trabalhar com familia nao é uma boa. os melhores dias passei no Exercito Brasileiro, fuz muitos irmaos que levarei eternamente no meu coração, e os peiores dias foram tambem no quartel, pois, no meu acampamento peguei Erisipela e Sarna, rasguei meu joelho esquerdo, fui atacado por um morcego selvagen, tentei matar um companheiro que desdo o inicio do ano vinha me atasanamdo com apelidos e rotulos, por um simples empurrao na piscina, eu taquei uma enchada nele, mas nao pegou, no outro dia ele veio se desculpar e disse pra eu nao contar nada ao Ten Cidreira. Fora o fato de eu ter pego Dengue por 3 vezes enquanto morava la. Parabéns Gabriel por compartilhar umd e seus momentos de vida, ate a proxima. Fica Com Deus !!!

    • Cara,

      Eu ri muito com seu comentário! que aperto que você passou no exército hein? ainda bem que não teve que ir pro Iraque ou coisa assim..rs. Tudo aconteceu com você enquanto estava lá…até ser atacado por um morcego selvagem! (essa parte foi a melhor! rsrs).

      Muito bom saber que não sou o único azarado na terra…rs e que bom que deu tudo certo no final, digo, vc não acertou a enxada no rapaz!rs.

      Até mais querido!

  3. HSUAHSUAHSAUHSUHS
    muito bom! *-*
    rilitros aqui!
    fiquei imaginando voce correndo na neve de tênis ;p
    aiai eesse Bob esponja é o cara neh sempre com belas palavras 😀

  4. “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!”

    Vale a pena “viver”. Pena que não estou fazendo isso.

    • Patricia,

      Eu não havia pensado nessa música, mas é perfeita para a ocasião: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!”.

      Mas o que acontece? você acha que tem alguma barreira impedindo você de viver, mesmo que isso signifique chorar?

      • Era uma vez uma bonita e inteligente menina…final: não te recordas que eu encontrei este blog porque o vi numa comunidade de depressão? E não é uma simples depressão…

      • Eu acho que nenhuma depressão é simples.

        Se fosse simples seria uma triteza passareira. Olha, eu tenho uma tendência enorme para ser depressivo. Minha esposa que o diga. Há quanto tempo você está enfrentando esta situação?

  5. Também já tive inúmeros dias ruins mas todos eles servem para valorizarmos os dias de hoje. Com certeza todos meus dias ruins, assim como os seus, serviram de experiência e crescimento.

  6. Gabriel,

    Há dez anos. Quando falo que não é simples, é porque não é simples mesmo. Ela agora faz parte da minha personalidade, então a coisa é mais séria. Não é comum isso acontecer depois de grande, normalmente quando faz parte da personalidade já vem desde pequena a pessoa com isso. E apesar disso, meu sofrimento maior é com a ansiedade. Não, não é simples tb., é crônica. Paralisou minha vida. Não posso escrever mais por aqui. Abraço.

    • Entendo.

      Existe a teoria e a prática, na teoria já ouvi dizerem que se sentir ansioso chega ser até pecado, pois não estamos acreditando naquilo que Deus tem preparado para nós. No entanto, na prática… na prática é muito diferente. Eu também sou extremamente ansioso, minha esposa então, é mais do que eu. Mas realmente chega um ponto onde isso começa a atrapalhar nossas vidas.

      Mas nada é pra sempre. Nada.

  7. Ola Gabriel…..estava um pouco sem tempo, e li agora……
    Gabriel essa eu não sabia! Me desculpe, mas eu dei muita rizada kkkkkkkkkkkkkk……..
    Imaginar a sua cara nessa situação foi o mais legal…kkkkkk
    Mas imagino a grande agonia nesse dia, e também a de estar longe de casa.

    • rsrs…

      Todo mundo imagina minha cara nessa situacao e dá risada! rs… relaxa, nao é só você…rs.

      Eu devo ter uma cara engraçada mesmo no momento do desespero rs. Quanto a agonia, ahh já passou. Agora é hora de rir de mim mesmo!rs

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