O Dia em que fui Jurado de Morte

Eu tenho medo do filme do exorcista, medo de aranha, de maionese estragada e medo da esposa de um colega meu – vocês também teriam. Aliás, só escrevo estas linhas por causa do medo, por causa de UM medo. O medo que assombrou a mim e ao meu amigo Roni, há alguns anos atrás.

Era uma vez…

… peraí que eu vou no banheiro.

Voltei.

Ronnie, filho de Marta e Herculano, além de meu melhor amigo era um garoto gordinho e engraçado… Péssima essa, ficou até meio gay. De novo: Ronnie, filho de Marta e Herculano era um cara gordo, palhaço e não saía da minha casa. Eu era um cara magrelo, besta e não saía da casa dele. Fazíamos tudo juntos: informática, inglês, escola, Dragon Ball Z, Malhação, etc. Nada, até nada fazíamos juntos.

Mas um dia, uma tragédia caiu sobre nossas vidas. Uma senhorita chamada… chamada… chamada… Gertrudes, trouxe desgraça para nossos lares. Gertrudes era uma menina linda – formosa seria um adjetivo mais condizente com seu nome fictício. Eu já havia gostado de Gertrudes na Quarta Série – ela só não sabia. Roni já tinha reparado na formosura do broto e também esboçado um certo desejo juvenil por ela. Neste dia, Roni e eu estávamos jogando video game na sala de minha casa quando de repente olho pela janela e vejo a formosura em pessoa passando ali em frente, toda pimpona. Sem demora apalpei meu jovem companheiro para que juntos, pudéssemos apreciar a formosidade disponível aos nossos olhos.

Roni, como todo bom gordinho, escancarou a janela e se preparou para fazer uma gordice. Botou a cara pra fora e gritou: Gertrudes Gostoooooooosa!.

Pausa para uma explicação pertinente: meu bairro sempre foi tranquilo, exceto que minha rua tinha seu público bastante itinerante. Era gente que ia e vinha. Gente que conhecíamos e gente que nunca havíamos visto.

Haviam uns 200 caras ali em frente. jogando baralho, soltando pipa, jogando bola, enfim, tinha gente pra todo gosto. Para a nossa desgraça, TODOS os irmãos de Gertrudes também estavam ali. No mesmo instante que Roni jogou a isca gritando gostooosa já fisgou um peixe que devolveu: Se sair na rua… vai morrer!.

Eu, que estava roxo de vergonha, fiquei amarelo de medo. Roni que não conseguia parar de rir, no mesmo instante se calou, arregalou os olhos com um arrependimento semelhante ao de Judas e correu para fechar a cortina da janela.

Na vida real devíamos ser todos muleques, tanto nós, quanto Gertrudes e seus irmãos. No entanto, nas nossas cabeças eles eram traficantes – como o Baiano do Tropa de Elite.

Vamos todos morrer, eu pensava. Roni entrou em estado de choque. Eles acamparam em frente de casa, travando assim a passagem dele. No entanto, como toda boa dupla, encontramos uma solução. O fundo da minha casa era voltado para uma rua de terra e não para outra casa. Então, Roni jogou sua bicicleta pelo muro e saiu pelos fundos – todo Pimpão.

No dia seguinte, ao voltar da escola, o irmão mais velho de Gertrudes estava no portão de casa, me esperando. “É agora” – pensei.

Ele atendia pelo apelido de “Verão” – curiosamente só agora que vos escrevo estas palavras raciocinei que ele provavelmente tinha este apelido por ser parecido com a “Vera Verão”, da Praça é Nossa. Verão olhou pra mim e disse:

– E aí.

– Bom dia senhor Verão – eu respondi trêmulo.

Na vida real, estávamos na minha calçada. Na minha cabeça, eu estava numa sala escura, amarrado à uma cadeira, suado e sangrando.

– Quem deu aquele grito ontem?

Sabe aquela frase: “amigo de verdade não separa briga, chega dando voadora”? – não existe.

– Então senhor Verão, veja bem, meu amigo que gritou… – fiz a minha melhor cara de “não tenho nada a ver com isso, eu estava no banheiro fazendo o número 2”.

– A gente só quer dar uma prensa nele!

– Ah, então vocês não vao matar ele? – respondi um pouco mais aliviado.

De qualquer maneira, tivemos que adotar algumas novas técnicas para que o nosso relacionamento continuasse. A partir daí, antes de ir lá em casa, Roni verificava se eles estavam na rua. Quando não, ele voava com sua bicicleta para dentro da minha casa – para que ninguém o visse entrando – nem saindo. Se eles estivessem na rua, ele dava a volta pela rua de trás e jogava a bicicleta pelo muro.

Nossa amizade foi assim perpetuada, aos trancos e barrancos, nas alegrias e tristezas, nos momentos de paz e guerra. Mas o que não podia acontecer, de jeito nenhum, era passarmos uma tarde toda sem darmos risadas juntos.

O Roni vocês podem conhecer aqui. O senhor Verão, bem, às vezes vejo ele por aí, gente boa!

Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e … os amigos, que são os nossos chatos prediletos – Mário Quintana.

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30 Respostas para “O Dia em que fui Jurado de Morte

  1. huahuahuahuahua ->> Roni, como todo bom gordinho, escancarou a janela e se preparou para fazer uma gordice. Botou a cara pra fora e gritou: Gertrudes Gostoooooooosa!.

    parece que to vendo o gordo gritando hahahaha e meu caro, se vc entregou seu amigo, não se esqueça do dia que chamei o pedrinho de FDP e ele achou que foi vc! hahaha claro deixei por isso =)

  2. muito bom … rsrsrrss
    de verdade, essas historias de infancia são demais, como conseguiamos aumentar tanto a proporção de uma situação … kkk
    muito divertido , ate mais Gabriel … abraço ….

  3. Rsrsrsrs muito boa,ri demais,fico imaginando ele todo dia antes de ir ou voltar da sua casa vigiando a rua pra ver se não tinha perigo rsrs!!!
    Altas aventuras não, e imagino tb o sacrificio de pular o muro com a bicicleta,ela ficou inteira por quanto tempo? rs
    Bjs

  4. Ahhhhh copiei a frase do Quintana ta rs

  5. Digamos que vc. teve uma infância e adolescência com bastantes aventuras…rsrs

  6. Muito legal amigo Gabriel essa Aventura com o seu amigo Roni….Dei muitas risadas…

    Abraço.

  7. Tenho uma historia semelhante, eu e meu primo iriamos para a escola, como quase sempre ele chegava cedo em minha casa e esperava eu me arrumar, eu estava na varanda quando passou uma menina chupando uma melancia, ela nem era bonita, porem sempre fui gaito e larguei: ai eu com a dona desta melancia! A menina virou olhou nos meus olhos e andou em direção contraria da qual estava indo, nisso eu entrei e fui terminar de me arrumar, meu primo já estava me dando pressa pois estávamos um pouco atrasado, terminei de vestir a calça e calçar o sapato e dessemos a escada, eu morava no 1º andar, quando cheguei na metade da escada eu avistei novamente a menina, do lado dela estava um menino com boné e uma lupa na cara, pensei: merda buli com mulher de ladrão. Subi a escada correndo meu primo veio atrás e contei a historia para ele, o cara ficou uns 30 minutos em frente a minha casa e eu tremendo de medo, com a barriga doendo, suando frio, no final não fomos a escola e depois deste dia nunca mais vi a menina nem o meu algoz, nem lembro mais dela, mas nunca esquecerei do rosto dele.

    • Ahahahhaha, Vinicius, eu ri litros como seu relato!

      Daria um ótimo post!

      Meu, todo mundo já se meteu numa enrascada dessas… você tremendo de medo, com a barriga doendo, suando frio por ter mexido com uma menina que estava chupando melancia foi espetacular! kkkkkk.

      Se tirar a melancia da mão dela a história não seria a mesma rs.

      Muito, mas muito obrigado por compartilhar!

      Abraços!

  8. Acaba de ganhar um novo leitor. 😉
    Sou estudante de Análise de Sistemas e me identifiquei bastante com o texto “Mude sua História, Mude sua Vida”.
    Obrigado pelo belo texto!
    Vc é Fera!

  9. é do diego gabriel n deu pra coloca aki blz

    vou no banheiro, kkkkkk, deu ate dor qndo tocou no asunto neh kkkk
    vc ganho um fa ai em cima cara, parabens
    abraco Fica Com Deus !

  10. JÁ QUE NÃO TEM MENSAGEM NATALINA NESTE BLOG, VAI AQUI MESMO.

    FELIZ NATAL GABRIEL e VANESSA e a Todos da comunidade.

    Abração.

    • Olhaaaaaa você me julgando rs..

      Eu fiz um post de Natal… e você inclusive já comentou rs. Mas tudo bem, quando escreveu isso ele ainda não existia, eu te perdoo. ahahah.

      Muito Obrigado pela mensagem de feliz Natal viu… do fundo do coração.

      Grande abraço, 😉

  11. pronto! voltei! hihi adorei .kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Igual quando eu tinha uns 12 anos e ficava incomodando o povo do centro espirita da cidade, na minha cabeça eram todos bruxos e eu e minha amiga eramos as aventureiras corajosas!

    • Êêêê, a Ingryd voltou! kkkkkk.

      Nossa vc me fez lembrar de um centro espirita que tinha bem no caminho do meu onibus quando eu era pequeno. E tinha um bendito de um ponto de onibus, bem em frente, ou seja, ele sempre parava ali alguns instantes..

      Eu morria de medo, virava pra não olhar.. como se eu fosse pegar alguma coisa de lá hahhaha – nessa história eu nao fui corajoso! kkkkkkkkk.

  12. KKKKKKKKKK
    Sem contar que essa Historia ficou muito tempo atrapalhando eu ir na sua casa, Põe tempo nisso.kkkkkk
    Morria de medo daqueles kara uns negão de 2 metros de altura tudo capoerista…..forte se ta é loco si eu fosse espera aquela prensa acho que ate hj iria lembra dela….kkkkk
    Seu Mala, Bons tempos aqueles acho que eramos felizes e nem sabiamos…

    • Aeeeeeeeeeeee meu querido amigo Roni!

      O protagonista deste post! finalmente apareceu! hahaha.

      Nossa ficou mesmo, foi muito tempo, foi até você se mudar para Uberlândia!

      Hahaha verdade, eu desconfiei mesmo que aquela prensa iria doer um pouquinho kkkkkkkk.

  13. Cabeça Bons Amigos sempre tem grandes historias….kkkkk

    Lembrei duma ontem, e tava rachando sozinho. Lembra aquela vez que a professora de inglespassou um texto e era pra nois traduzir que valia muitos pontos.
    Claro pra nois era fácil nois fazíamos curso de ingles (na fly, ate uma vez vc voltou de apé de lá ate na biblioteca). Ai tivemos a grande ideia de pegar o caderno da Diene. ela morava perto da sua casa e fazia todos os trabalhos com perfeiçao, claro nao podiamos perde a opotunidade fomos la e pegamos o caderno dela emprestado falamos que era pra outra coisa. e copiamos a tradução do texto dela…kkkkkkk
    A professora descobriu por que nosso textos tava tudo igual. Chamo nois, ai nois só gaguejava e num falava nada com nada. de repente bateu o sinal…..kkkkkkk
    nois literalmente fomos salvos pelo gongo…kkkkkkkkkk
    demais velho, nois só aprontava…..

    • HAHAHHAHAHAHHAHAH

      Cara, verdade! ainda tem mais essas história! Mano, a Diene ficou LOUCA com a gente, endoidecida! a gente empresta o caderno da menina e dá uma dessas? Aí a professora queria dar zero pra gente e pra ela hahaah.

      Esses dias meu pai foi naquela auto-peças que o pai dela tinha. Ela estava lá… meu pai disse que ela perguntou de mim. Ela se lembrou de mim! isso significa que provavelmente também se lembre dessa gafe que cometemos rsrs.

      Cara.. tem mais um milhãooooooo de histórias.

      E aquela vez que ficamos indo e voltando do curso de ingles laaaa no Rosolém de bicileta pra economizar o dinheiro da passagem para ir para o Hopi Hari.

      Até hoje minha mae nao sabe q eu pegava a estrada de bicicleta! ahahahah.

      • Ronnie Duarte

        Nossa vei nem lembrava dessa…..kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

        È mesmo nois iamos de bicicleta, fazendo maior bagunça na rua….nem lembrava meu velho.
        Sua mae nem sonhava que nois tava indo de bicicleta…kkkkk

      • E uma dessas vezes que estávamos voltando do Rosolém de Bicicleta…

        Lá no Santa Clara, enrosquei minha bicicleta na sua… cara, vc tomou um tombo fenomenal!!!!!!!!!!! – e não aconteceu nada comigo, nem caí.

        Como eu ri nesse dia, mas eu ri até minha boca cair da cara!

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